Há decisões processuais que a gente toma com plena consciência.
E há outras que começam a parecer automáticas.
A denunciação da lide, em muitos casos, entra nessa segunda categoria. E alguns colegas não pensam nela com mais estratégia.
Vamos enfrentar...
No CPC/73, a denunciação carregava o peso de obrigatoriedade.
Mas o CPC/2015 mudou a lógica.
Hoje, a parte pode denunciar a lide, como intervenção de terceiros, no prazo da contestação. Mas também pode escolher discutir eventual direito de regresso depois, em ação autônoma. E esse ponto muda bastante o cálculo estratégico.
A dúvida é: quando seguir por um ou outro caminho.
Eu te explico. 👍
Claro que a denunciação pode ser muito útil.
Ela consegue concentrar discussões, trazer economia processual e, em determinados casos, evitar que a parte denunciante arque primeiro com o valor da condenação para só depois buscar o ressarcimento. E isso é muito relevante!
Mas toda escolha processual tem um custo.
⚠️ E aqui está o ponto que merece atenção.
Se não houver condenação do réu denunciante na ação principal, ou se a denunciação for julgada improcedente, por ter natureza de ação acessória, ela irá gerar sucumbência a ser paga pelo denunciante em favor do terceiro trazido ao processo.
Esse é o tipo de risco que não aparece quando a análise do advogado se restringe a “cabe ou não cabe”.
A pergunta mais completa deve ser outra:
“Qual é o ganho real de trazer esse terceiro agora, e qual é o custo se a ação principal for julgada improcedente?”
Às vezes, denunciar é a melhor saída.
Mas, em outras, a melhor estratégia é resistir ao impulso de ampliar o processo e reservar a discussão regressiva para o momento certo. E, é claro, somente se for o caso de vitória na ação principal.
Se esse for o caminho, o prazo prescricional da pretensão regressiva só começa a correr com o trânsito em julgado da ação principal. Mas, o denunciante, já deve ter remunerado o vencedor na principal.
No fim, boa técnica processual não é usar todos os instrumentos disponíveis.
É saber quando cada instrumento realmente melhora a posição do cliente, e quando não.
Super importante, não é?
Até a próxima,
— Letícia